O motivo que me fez ficar 45 dias sem postar neste humilde blog é o mesmo que me faz postar agora.
Até poucos dias atrás, vivi com minha família um drama que nos trouxe grande apreensão. No centro desse drama, minha filha Daniela!
A Dani é uma menina com necessidades especiais. Ela tem dificuldades motoras, na fala e de aprendizagem. O nome genérico dado ao problema pelo neurologista é Transtorno Global do Desenvolvimento. Temos tentado por vários meios estimular a evolução da Daniela, que continua com alguns anos de atraso, mas tem tido bons avanços.
Há cerca de três meses e meio, porém, um novo drama surgiu, para nos encher de incertezas e medos: ela começou a mancar. Procuramos especialistas em Caxias do Sul, cidade com mais recursos que Vacaria, minha cidade. Descobrimos que ela tinha grande desvio na coluna, o que provavelmente explica seu caminhar irregular.
Entretanto, um dos exames mostrou algo mais: um tumor na glândula suprarrenal esquerda. Nenhum exame foi capaz de esclarecer sobre a gravidade do caso.
Imaginem nossa angústia, imaginando que o tumor podia ser maligno, que nossa filhinha corria risco de morte. No entanto, precisávamos ser fortes, manter a serenidade, passar confiança para ela.
Uma equipe de médicos dedicados e competentes decidiu pela remoção da glândula. Passamos quase um mês no Hospital Pompéia, eu e minha esposa nos revezando na companhia da Dani, engolindo nossos temores para influenciar positivamente seu ânimo. Conseguimos, também com ajuda das orações de inúmeros amigos, influenciar inclusive a nós mesmos, tanto que eu adquiri uma quase-certeza de que o tumor era benigno. Mesmo assim, temia uma cirurgia complicada como a que aguardava minha filha, pois o risco de 5% mencionado pelo médico é altíssimo na cabeça de um pai.
A Daniela sabia que faria a cirurgia, mas não teve muita noção das possibilidades. Um dia, porém, cortou-me o coração ouvir ela dizendo, ainda que meio de brincadeira:
— Pai, eu vou morrer?
Ainda que eu estivesse condicionado a pensar positivo, ainda que eu sorrisse, minha voz se embargou ao garantir que não.
Passamos horas terríveis enquanto a cirurgia tinha andamento, mas tudo transcorreu perfeitamente. Em cinco dias, minha filha estava em casa.
Três dias depois, o médico me falou que a biópsia, embora ainda não concluída, apontava para um tumor benigno. No entanto, falou que ela, quando bebê, teve câncer (neuroblastoma) na glândula suprarrenal, e que, por regressão espontânea, o tumor virou benigno (ganglioneuroma). Essa regressão ocorre raramente, sempre entre a concepção e os 6 meses de idade. Resumindo, ela tinha essa anomalia há mais de 13 anos!
Dá um arrepio só em pensar que ela teve uma doença tão grave e ficou curada sem sabermos de nada. Mas que bom que Deus quis assim!
Não posso deixar de agradecer a todos os amigos, virtuais ou não, que rezaram e torceram por ela, e que nos deram palavras de apoio e de coragem. Também não posso deixar de agradecer, de jeito nenhum, às forças superiores e generosas que reverteram, no passado, uma doença gravíssima, e que guiaram a mão dos médicos na cirurgia.
Agora, a caminhada continua. Precisamos corrigir a coluna de nossa menina e estimular seu desenvolvimento.
Estamos felizes, pois o pior passou.
Muito obrigado a todos!
sábado, 21 de novembro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Rios Paralelos
Esta poesia foi publicada parcialmente em meu livro Inspiração à Beira do Abismo, no conto Todas as Dores do Mundo. Pela tristeza que o caracteriza, tem tudo a ver com o poeta H. Zimmer, protagonista do conto.
RIOS PARALELOS
Têm por foz a mesma dor
De agonia de um amor,
Em suas margens não há flor,
Lentamente se deslocam
Até inquieto mar – o peito –
Sempre sós, pois não tem jeito:
Paralelos são seus leitos;
Lado a lado, não se tocam.
Não há rio nem mar eterno.
Só, talvez o céu e o inferno.
Vem o outono após o inverno.
Primavera não tem vez.
Erosão levou vontade,
Todo amor, toda vaidade.
Leitos secos, sem saudade,
Paralelos na aridez.
RIOS PARALELOS
Têm por foz a mesma dor
De agonia de um amor,
Em suas margens não há flor,
Lentamente se deslocam
Até inquieto mar – o peito –
Sempre sós, pois não tem jeito:
Paralelos são seus leitos;
Lado a lado, não se tocam.
Não há rio nem mar eterno.
Só, talvez o céu e o inferno.
Vem o outono após o inverno.
Primavera não tem vez.
Erosão levou vontade,
Todo amor, toda vaidade.
Leitos secos, sem saudade,
Paralelos na aridez.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
INVASÃO - Contos de Ficção Científica
A Giz Editorial acaba de publicar meu conto de Ficção Científica intitulado Judas, na antologia Invasão, que conta com a participação de mais 24 autores do gênero. Veja a sinopse do livro:
"Alienígenas, monstros, naves espaciais, gárgulas, robôs, escravistas e viajantes do futuro. O que aconteceria se a terra fosse invadida por seres hostis? Como você agiria?
Isso e um pouco mais é o que o leitor encontrará no livro Invasão, uma obra escrita por alguns dos melhores autores de ficção científica nacional.
Mas atenção, antes de fechar estas páginas, um aviso: esteja preparado, reflita, pois um dia isso poderá tornar-se realidade..."
Quem tiver interesse em adquirir, é só manter contato comigo: jprandi@ibest.com.br.
Valor: R$20,00 - frete grátis.
Um forte abraço a todos!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Projeto literário e solidário
Faltava divulgar aqui no blog que, conforme consta na contracapa, Inspiração à Beira do Abismo, além de ser naturalmente um projeto cultural, tem uma faceta social. Todos os lucros serão doados a entidades assistenciais e educacionais da região de Vacaria.
Muita gente vem me questionando sobre como isso vai funcionar. Basicamente, é o seguinte: dos 1.000 exemplares publicados, 920 devem ser vendidos (os outros serão doados à SMEC de Vacaria ou destinados à divulgação). A venda dos 920 exemplares a R$20,00 resultaria em um montante de R$18.400,00. Desse montante, vou retirar o valor das despesas com publicação, lançamento, divulgação, comissão para livrarias ou vendedores, remessa via correio, etc. O resto, vai ser doado, sendo que assumi o compromisso de que o total não será inferior a R$10.000,00.
Alguns valores já foram doados a entidades de minha cidade, Vacaria/RS, destacando-se o colégio municipal Duque de Caxias (RS735,00) e o Atelier Livre, com seu Projeto Pandorga, que oferece aulas de artes plásticas a crianças carentes (R$560,00). Há previsão de apoio financeiro em breve à APAE e ao CEDEDICA, ambos de Vacaria, e a A Rampa, de Caxias do Sul.
O que ganho com isso? Bem, isso tem me ajudado a vender alguns exemplares, talvez na mesma proporção em que impede a venda de outros, por impossibilitar uma redução no preço do livro. Mas então, o que ganho? Sensação de dever cumprido, de não estar alheio às dificuldades de pessoas menos favorecidas pela sorte. Quem pensa em mundo melhor vai me entender.
Leiam Inspiração à Beira do Abismo, emocionem-se, inspirem-se e divulguem!
Muita gente vem me questionando sobre como isso vai funcionar. Basicamente, é o seguinte: dos 1.000 exemplares publicados, 920 devem ser vendidos (os outros serão doados à SMEC de Vacaria ou destinados à divulgação). A venda dos 920 exemplares a R$20,00 resultaria em um montante de R$18.400,00. Desse montante, vou retirar o valor das despesas com publicação, lançamento, divulgação, comissão para livrarias ou vendedores, remessa via correio, etc. O resto, vai ser doado, sendo que assumi o compromisso de que o total não será inferior a R$10.000,00.
Alguns valores já foram doados a entidades de minha cidade, Vacaria/RS, destacando-se o colégio municipal Duque de Caxias (RS735,00) e o Atelier Livre, com seu Projeto Pandorga, que oferece aulas de artes plásticas a crianças carentes (R$560,00). Há previsão de apoio financeiro em breve à APAE e ao CEDEDICA, ambos de Vacaria, e a A Rampa, de Caxias do Sul.
O que ganho com isso? Bem, isso tem me ajudado a vender alguns exemplares, talvez na mesma proporção em que impede a venda de outros, por impossibilitar uma redução no preço do livro. Mas então, o que ganho? Sensação de dever cumprido, de não estar alheio às dificuldades de pessoas menos favorecidas pela sorte. Quem pensa em mundo melhor vai me entender.
Leiam Inspiração à Beira do Abismo, emocionem-se, inspirem-se e divulguem!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Inspiração à Beira do Abismo - Adquira aqui
INSPIRAÇÃO À BEIRA DO ABISMO
Contos
Jocir Prandi
136 páginas
Apresentação de Moacyr Scliar
São doze contos emocionantes, realistas, humanos. Em Recanto, cidade do interior gaúcho, no outono de 1998, num ambiente comum marcado por vícios e força de vontade, medo e coragem, arrogância e humildade, tristezas e alegrias, egoísmo e solidariedade, personagens debatem-se em busca da felicidade.
Leia em postagens anteriores a apresentação de Moacyr Scliar, as sinopses dos contos e os primeiros capítulos do conto Passarinho.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Sinopses dos contos - Inspiração à Beira do Abismo
SARJETA: Esponja é um joão-ninguém, alcoólatra inveterado. Seu destino parece traçado de forma irremediável. Nem a presença amiga da prostituta Dina, nem o surgimento de um vira-lata capaz de mexer com seu lado humano, parecem suficientes para interferir em sua trajetória para a degradação absoluta. Então, surge mais alguém em sua vida...
A IDADE DE HELENA: Ao retornar à terra natal, o protagonista relembra as mulheres que marcaram sua vida ali, e descobre que cada uma, ao contrário dele, encontrou seu caminho para uma relativa felicidade. Inclusive Helena, “tão comportada, tão sem assunto, tão sem graça, tão velha”. Nesse reencontro com o passado, ele irá descobrir porque também Helena deixou sua marca, e bem mais relevante do que ele pensa.
O PASSADO EM PAUTA (o mais elogiado de meus contos): O grande tenor Romildo Castelli deixou Recanto quando adolescente, em busca de sucesso. E alcançou tudo que poderia almejar... menos a felicidade. Ao partir, havia jurado jamais sentir saudades do lugar ou da família que não o havia apoiado. E cumpre a promessa... até o dia em que descobre que a mãe tem pouco tempo de vida. A partir daí, o astro repensa toda a sua vida e decide se redimir e buscar uma reaproximação. Mas a forma com que o faz é absolutamente insólita
DEPOIS DO FINAL FELIZ: No aniversário de seu casamento, Estela passa em revista os doze anos de vida em comum. Apesar de o balanço ser negativo, ela decide resgatar a felicidade inicial, mas descobrirá o quanto isso é difícil.
TODAS AS DORES DO MUNDO: H. Zimmer, poeta da dor e do sofrimento alheio, freqüenta ocasionalmente o Bar da Esquina. Quando a filha do proprietário pede como presente de casamento uma poesia com o título “Mar de Rosas”, falando das boas coisas da vida, ele se mostra ainda mais amargo que de hábito. A insistência, porém, é tal, que ele acaba aquiescendo: “Queriam um mar de rosas? Pois iriam ter. Mas seria o seu mar. Seriam as suas rosas.”
PASSARINHO: Lu leva uma vida de dedicação extrema ao trabalho e a atividades assistenciais. É sua forma de fugir de dramáticas recordações que a perturbam. Quando o homem que passou sete anos na prisão sob acusação de a ter violentado retorna a Recanto, ela percebe que não poderá fugir eternamente do passado, e que o presente também encerra muitos riscos. Até porque os maiores inimigos podem estar dentro de sua própria casa.
VAZIO: Ele acorda no meio da noite e, sem estímulos aos sentidos, sente um grande vazio a oprimi-lo. Mas, passados alguns minutos, vai se apercebendo do valor das pequenas coisas. (Mini-conto bastante elogiado por Moacyr Scliar).
MÃOS E ALMAS: A bordo de um velho ônibus, após flagrar a traição de sua noiva, o protagonista luta desesperadamente para ocultar sua angústia. Busca distração observando a paisagem às margens da estrada, ou as mãos de outros passageiros, adivinhando-lhes os dramas. Entretanto, acaba por observar sua própria mão...
INSPIRAÇÃO À BEIRA DO ABISMO: Jovem em profunda depressão, devida, sobretudo, à falta de adaptação ao trabalho, sai de seu quarto, como para fugir de si mesmo. Acaba à beira de um abismo, onde, numa brincadeira sinistra (forma de desprezo às crenças de um mundo que tanto o faz sofrer), ele se imagina tentado pelo diabo, que lhe sugere saltar para a morte.
CANÇÃO PARA LUZIA: Luzia, moça humilde do sítio, vive momento especial diante do assédio de Alex, o filho do prefeito. Após viver uma “noite de princesa” com ele num baile, ela o espera em casa. Enquanto isso, recebe de um jovem vizinho um presente singelo: uma fita cassete com uma canção em sua homenagem. Antes que ela ouça a canção, Alex chega, e Luzia fica sob a influência de vaga mas perturbadora curiosidade, que pode ter importância fundamental na decisão que vai tomar.
NUNCA É TARDE PARA CHORAR: Cansada do desconforto de cuidar do pai inválido, a protagonista desabafa, criticando ferozmente o machismo dele e dos filhos dele. Seu pai já não pode falar, nem fazer qualquer gesto, e as lágrimas são a única mensagem que consegue emitir, na tentativa de se redimir.
SÓ: A solidão sempre marcou a vida do protagonista. Embora se reconheça responsável por isso, ele sente-se incapaz de reverter a situação e se aproximar das mulheres. Numa noite em que a solidão tortura-o sobremaneira, a chuva recoloca em seu caminho alguém a quem ele desprezou no passado. Agora, ele tem em suas mãos a possibilidade de decidir: ou vence o orgulho e aceita a oportunidade, ou afunda de vez na solidão.
A IDADE DE HELENA: Ao retornar à terra natal, o protagonista relembra as mulheres que marcaram sua vida ali, e descobre que cada uma, ao contrário dele, encontrou seu caminho para uma relativa felicidade. Inclusive Helena, “tão comportada, tão sem assunto, tão sem graça, tão velha”. Nesse reencontro com o passado, ele irá descobrir porque também Helena deixou sua marca, e bem mais relevante do que ele pensa.
O PASSADO EM PAUTA (o mais elogiado de meus contos): O grande tenor Romildo Castelli deixou Recanto quando adolescente, em busca de sucesso. E alcançou tudo que poderia almejar... menos a felicidade. Ao partir, havia jurado jamais sentir saudades do lugar ou da família que não o havia apoiado. E cumpre a promessa... até o dia em que descobre que a mãe tem pouco tempo de vida. A partir daí, o astro repensa toda a sua vida e decide se redimir e buscar uma reaproximação. Mas a forma com que o faz é absolutamente insólita
DEPOIS DO FINAL FELIZ: No aniversário de seu casamento, Estela passa em revista os doze anos de vida em comum. Apesar de o balanço ser negativo, ela decide resgatar a felicidade inicial, mas descobrirá o quanto isso é difícil.
TODAS AS DORES DO MUNDO: H. Zimmer, poeta da dor e do sofrimento alheio, freqüenta ocasionalmente o Bar da Esquina. Quando a filha do proprietário pede como presente de casamento uma poesia com o título “Mar de Rosas”, falando das boas coisas da vida, ele se mostra ainda mais amargo que de hábito. A insistência, porém, é tal, que ele acaba aquiescendo: “Queriam um mar de rosas? Pois iriam ter. Mas seria o seu mar. Seriam as suas rosas.”
PASSARINHO: Lu leva uma vida de dedicação extrema ao trabalho e a atividades assistenciais. É sua forma de fugir de dramáticas recordações que a perturbam. Quando o homem que passou sete anos na prisão sob acusação de a ter violentado retorna a Recanto, ela percebe que não poderá fugir eternamente do passado, e que o presente também encerra muitos riscos. Até porque os maiores inimigos podem estar dentro de sua própria casa.
VAZIO: Ele acorda no meio da noite e, sem estímulos aos sentidos, sente um grande vazio a oprimi-lo. Mas, passados alguns minutos, vai se apercebendo do valor das pequenas coisas. (Mini-conto bastante elogiado por Moacyr Scliar).
MÃOS E ALMAS: A bordo de um velho ônibus, após flagrar a traição de sua noiva, o protagonista luta desesperadamente para ocultar sua angústia. Busca distração observando a paisagem às margens da estrada, ou as mãos de outros passageiros, adivinhando-lhes os dramas. Entretanto, acaba por observar sua própria mão...
INSPIRAÇÃO À BEIRA DO ABISMO: Jovem em profunda depressão, devida, sobretudo, à falta de adaptação ao trabalho, sai de seu quarto, como para fugir de si mesmo. Acaba à beira de um abismo, onde, numa brincadeira sinistra (forma de desprezo às crenças de um mundo que tanto o faz sofrer), ele se imagina tentado pelo diabo, que lhe sugere saltar para a morte.
CANÇÃO PARA LUZIA: Luzia, moça humilde do sítio, vive momento especial diante do assédio de Alex, o filho do prefeito. Após viver uma “noite de princesa” com ele num baile, ela o espera em casa. Enquanto isso, recebe de um jovem vizinho um presente singelo: uma fita cassete com uma canção em sua homenagem. Antes que ela ouça a canção, Alex chega, e Luzia fica sob a influência de vaga mas perturbadora curiosidade, que pode ter importância fundamental na decisão que vai tomar.
NUNCA É TARDE PARA CHORAR: Cansada do desconforto de cuidar do pai inválido, a protagonista desabafa, criticando ferozmente o machismo dele e dos filhos dele. Seu pai já não pode falar, nem fazer qualquer gesto, e as lágrimas são a única mensagem que consegue emitir, na tentativa de se redimir.
SÓ: A solidão sempre marcou a vida do protagonista. Embora se reconheça responsável por isso, ele sente-se incapaz de reverter a situação e se aproximar das mulheres. Numa noite em que a solidão tortura-o sobremaneira, a chuva recoloca em seu caminho alguém a quem ele desprezou no passado. Agora, ele tem em suas mãos a possibilidade de decidir: ou vence o orgulho e aceita a oportunidade, ou afunda de vez na solidão.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Um modesto experimento poético
SILÊNCIO
Dou-te um último beijo de língua
Portuguesa e, após, que se extinga,
Já sem rimas de correspondência,
A ilusão, que agoniza à míngua,
Pois não juras mais céus, universos,
Nem me beijas, febril, em teus versos,
Não versejas sequer por clemência.
De tua doce e rimada eloqüência,
Restam cinzas em flocos dispersos.
Sei, cansaste de estrofes apenas,
De românticas, puras, a obscenas.
Queres corpo; sou alma somente;
E ao silêncio este poeta condenas.
Porém, a alma é imortal como a arte
E virá com o vento abraçar-te,
Num silêncio rimado, fluente,
Seduzir-te, lançar a semente
Da poesia em teu útero, amar-te.
Dou-te um último beijo de língua
Portuguesa e, após, que se extinga,
Já sem rimas de correspondência,
A ilusão, que agoniza à míngua,
Pois não juras mais céus, universos,
Nem me beijas, febril, em teus versos,
Não versejas sequer por clemência.
De tua doce e rimada eloqüência,
Restam cinzas em flocos dispersos.
Sei, cansaste de estrofes apenas,
De românticas, puras, a obscenas.
Queres corpo; sou alma somente;
E ao silêncio este poeta condenas.
Porém, a alma é imortal como a arte
E virá com o vento abraçar-te,
Num silêncio rimado, fluente,
Seduzir-te, lançar a semente
Da poesia em teu útero, amar-te.
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