quinta-feira, 8 de abril de 2010

SÓ (conto publicado em meu livro Inspiração à Beira do Abismo)


Quanto a mim, continuei com a solidão. Não dizem ser ela a pátria das grandes almas? Pois nela, em minha pequenez, sentia-me um estrangeiro.




Não, a canção do velho Montreal não me convencia. Singrava o universo de meu quarto, notas e letra pura alegria, mas eu só absorvia melancolia, pessimismo. Ao simples confronto com meu estado de espírito, as notas risonhas perdiam suas propriedades, fazendo-se solidão, mágoa, dor. A letra dizia “eis a alegria!”, mas eu interpretava “eis o que a vida lhe nega!”
É o efeito do contraste, algo semelhante ao descrito em versos de um poeta local. O título: Filho da Rua. Lembro-me de um trecho:
Já chorava outras feridas,
Pois por certo a subvida
Por si só já é bem triste.
Nesse instante, chorou mais,
Constatando nos demais:
Alegria, então, existe!
O poeta saberia me compreender. Eu era o menino da canção. Aos trinta e sete anos, um menino carente, necessitado de amor, carinho, prazer. Sobretudo, necessitado de estrutura para suportar tais carências.
“Absurdo!”, dirão. Eu tinha, e com sobra, comida, um teto e todo o necessário para sobreviver. Lá fora, desemprego recorde violentando a sociedade e a deixando prenhe de novos filhos da rua. (E FH queria mais quatro anos no poder. Mas será que Lula poderia fazer melhor?) Muita gente padecendo sofrimentos terríveis. Mas isso não amenizava o meu. Pior: a canção do rádio ainda o acentuava com o ritmo dançante.
Que vontade de arremessar o Montreal contra as tábuas enegrecidas da parede, estilhaçá-lo, calá-lo para a eternidade! Uma chuva de resistores, capacitores, válvulas, fios se libertando. Depois, o silêncio, a paz. E o ergui com fúria, um monstro ameaçando tomar as rédeas de meus atos, mas contive o impulso. Pobre aparelho, sem vontade própria, mero objeto da manipulação radiofônica. Não bastava eu o desligar, como pessoa normal que tentava ser? Tão mais simples. Quebrada a seqüência de ondas, interromperia a mensagem absurda, alheia a minha realidade. Um giro, um clique e, enfim, o silêncio, o alívio.
Como que acreditando nesse milagre, busquei o botão liga-desliga. Foi quando soou o último acorde e a canção cessou. Sobreveio um instante de silêncio, frio, absoluto, aterrador. Na imensidão desse instante, esvaíram-se tristeza e pensamentos amargos. Restou o medo. Medo do desconhecido, do momento seguinte, da próxima música. Como se dela dependesse o futuro, a seqüência da vida. Suspense, vulnerabilidade, um calafrio.
Então, a voz súbita do locutor: – Amor e suas dores, inquilinos de um mesmo corpo. Na sua Recanto FM, para você que sofre as dores do amor: Mil Dores.
“Para você que sofre...” Para mim. Era de mim que a canção falava. Mil dores, fundidas em uma só, aguda, lancinante, talvez um dia letal. No início, ela e meus malogrados amores dividiam um mesmo hábitat, tentando destruí-lo. E tinham quase conseguido. Até que promovi o despejo dos amores, um a um. Mas a dor, essa ficou.
É, meu temor concretizou-se: a música era outra, plenamente identificada comigo, mas a tristeza, a mesma. Cobri a cabeça com o travesseiro, abafando o som, mas não a angústia. Não eram as ondas sonoras que a traziam. Ela vinha de dentro, seqüela das frustrações, de meus próprios erros, do desprezo, da solidão.
Acima de tudo, da solidão. Era a causa maior. E eu próprio a tinha construído. No início, do alto de uma pretensa superioridade, observava e julgava as eventuais candidatas à honra de viver comigo. Grande honra, por elas dispensada. Sequer olhavam para “o alto”. Então, que jeito senão rever conceitos, descer, pôr os pés no chão. Mais que isso, tivera de assumir a condição não de quem exige, pois pode escolher, mas de quem deve adaptar-se às exigências para ser escolhido. E nem assim tinha sido. Nessa altura, já não havia mulheres suficientemente próximas para perceberem minha nova postura.
É, eu tinha aprendido muito com a vida, sem chegar a vivê-la. Aprendera, sobretudo, a lição da humildade, do respeito pelas pessoas, em especial as mulheres. Mas, a essa época, tudo já estava disposto inadequadamente: mulheres distantes e, entre mim e elas, minha família, a timidez e a imagem negativa que faziam de mim. Quisera dissipar essa imagem, vencer a timidez, ignorar a opinião familiar, mas que fazer?, quando?, de que modo? Nunca soubera. E fizera sempre a coisa errada, na hora errada, do pior modo. Pobre idiota, despreparado para a vida.
Para ajudar, nunca servi para bonito. Quem iria querer algo comigo? Só mesmo Clara. Quase vinte anos passados, eu ainda lembrava bem de todas as suas palavras naquela manhã de verão no Parque Nazaré: – Vivo me arrependendo por “aprontar”. Isso me faz proibida pra você. Só por você é que gostaria de mudar o passado e o futuro. – Mas eu, ainda do alto de um pedestal, dissera “não”. Se o futuro ela ainda podia mudar, o passado, jamais. Guria falada em todo o bairro, tinha ido para o mato sei lá com quantos. – Una putana! – dissera-me a nonna, – querendo desencaminhar um bom rapaz.
Bom rapaz? Como as pessoas se enganam! Nunca fui mau, mas o que me fazia parecer um rapaz exemplar não era meu valor, e sim minha falta de valor, minha timidez. Como eu gostaria de ter aproveitado a vida como Clara. Meu corpo se consumia a cada desejo não satisfeito. Mas cadê a coragem para viver a vida? Sim, a diferença entre mim e Clara estava em minha covardia. E, por covardia e incoerência, eu, que nunca fui santo, exigia uma santa. E me recusava a sequer pensar nela. Procurava uma guria séria, discreta, fiel. Mais ou menos o oposto a ela.
Anos depois, já com um filho nos braços, Clara havia-se casado. Mas o cara não prestava. Bebia de mais, trabalhava de menos. Um animal violento. Então ela, com dentes a menos e um filho a mais, havia saído do casamento e voltado a morar com o Tonhão, seu pai, bodegueiro lá do Jubileu. Era boa mãe, dizia-se, apesar das saídas à noite em busca talvez do único tipo de alegria que sabia extrair da vida.
Quanto a mim, continuei com a solidão. Não dizem ser ela a pátria das grandes almas? Pois nela, em minha pequenez, sentia-me um estrangeiro. E, nesse tempo todo, só duas amantes, fiéis, incansáveis: a imaginação e minha própria mão. Namorada, nenhuma. Somente sonhos, desejos e as respectivas frustrações. Espera em hora de agir, ação em hora de esperar. Tantas lágrimas contidas, tantas lágrimas derramadas. Um ano seguindo o outro, uma vida que já ia ao meio. Resumo: solidão!
Mas o passado não passava de passado. Hora de chorar a solidão do presente, sem jogar a culpa na canção. E chorei. Literalmente. As lágrimas foram feitas para isso mesmo. Mas não resolveram meu problema. Nem destruir o rádio, nem o desligar, nem nada resolveria. Não parecia haver solução.
Joguei o travesseiro a um canto e busquei a porta. Melhor sair, dar meios para que o destino pudesse me ajudar. Não que eu gostasse. Se pudesse não ter de enfrentar o mundo exterior... Se pudesse ficar no quarto, meu refúgio, o melhor lugar do mundo, apesar da solidão... Mas, e se fosse hoje? E se fosse essa a noite em que tudo deveria acontecer? Só em pensar em ter uma mulher nos braços, sentia o corpo tremer, uma vontade danada de me desmanchar no corpo dela, uma carência do tamanho do mundo. Tinha de sair. Apesar da insegurança, das fobias, de tudo. Não podia me acomodar. Não queria estar no lugar errado, na hora certa. Muito mais fácil seria procurar uma casa noturna, lugar certo sempre, mas eu tinha horror a me expor tanto. Preferia as sombras, o anonimato, onde a timidez perdia forças. Aí, talvez, em uma esquina da vida, encontrasse alguém. E, tão decidido quanto me era possível, abri a porta.
Mas, surpresa: estava chovendo. E a chuva vinha sendo, não raro, minha cúmplice, álibi para justificar a mim mesmo meu enclausuramento, minha covardia. Com chuva, não saía, e ponto final.
Porém, antes de eu fechar a porta, o vulto de alguém correndo. Uma mulher! Buscava abrigo da chuva. Colou-se à parede da casa vizinha, as goteiras passando rente a seu corpo. E que corpo! Cobriam-no roupas pequenas, sugestivas. Estava meio escuro, mas eu via a silhueta contra uma luz ao longe. Um aperto subiu-me à garganta. A simples proximidade de uma mulher deixava-me inquieto, quase apavorado. E, ao mesmo tempo, excitado.
Ela me olhou. Estremeci. Ela também. Talvez fosse o frio. Estava molhada, precisava de um abrigo mais adequado. Mas como a convidar para entrar? Pôr uma estranha dentro de casa.
Sim! Uma estranha! Por isso mesmo eu a devia convidar. Não tinha nada a perder. Na pior das hipóteses, ela recusaria. Ou, entrando e não gostando, simplesmente voltaria à chuva. E nunca mais nos veríamos. Mas talvez gostasse. Ou fingisse gostar, ainda que por pura pena. Tinha de convidá-la. E havia a chuva a justificar o convite e a nos isolar do resto do mundo. Eu não podia perder a chance. Era uma mulher. Talvez pouco agradável, talvez cheia de defeitos, mas mulher. E isso bastava. Já fazia muito tempo, bastava que fosse mulher.
Uma eternidade, aquele instante. A chuva gotejando por toda parte, seu rumor abafando a triste canção no velho Montreal. E eu ali, olhando para ela. E ela me olhando, arfante.
– Entre.
Uma breve hesitação, e ela veio. Parou à porta, tirando os sapatos. Foi então que a reconheci: Clara! Marcada pelo tempo, o sorriso entristecido pela agressão de um covarde, mas era ela. Eu lhe trouxe uma toalha. Ela entrou, secando-se, cuidando para não molhar o assoalho. Olhava-me, insegura. Ofereci-lhe um agasalho, indicando-lhe o banheiro, e ela entrou.
Nessa hora, meu coração, que já batia apressado, disparou: ela deixara a porta aberta. Fiquei indeciso, meio querendo entrar, meio querendo fugir, assumir para a eternidade minha covardia. Até que decidi: tinha de fugir, sim, mas da covardia. Ousei uns passos trôpegos. Ela estava de costas, já em trajes menores. Corpo bonito, de curvas perfeitas, pele ainda lisa. Eu mal conseguia respirar, mas me aproximei ainda mais. Ela voltou-se. Tinha os olhos fechados, e os abriu para libertar duas lágrimas. Em seu brilho úmido, vi solidão, desajuste, desamparo. Vi uma vida sofrida. Vi muito de mim mesmo.
Quis lhe pegar as mãos, mas hesitei. Invadia-me a certeza de que não a estaria assumindo para uma única noite. Não devia pensar melhor? Apostar tudo em algo tão repentino...
Não! Dessa vez, não pensaria. Pensar era o que eu mais tinha feito durante toda a vida, e o resultado não tinha sido nada satisfatório. Senti-lhe o perfume, a respiração ainda arfante. E peguei-lhe as mãos. E abracei-a. Primeiro, com receio; depois, com nervosa avidez. Era carência demais acumulada. Concentrei uma vida toda nos minutos seguintes. Cada gesto, cada carinho compartilhado, eram de importância vital.
Agora, no amigo Montreal, a música era pura emoção. Em seu ritmo, nossos corpos vibraram. Era minha música, composta em tantos anos de solidão, mas até então só executada a solo. Uma música ainda imperfeita. Emocionada, sim, mas ansiosa demais, um pouco sem harmonia. Era a melodia da inexperiência, da carência, da afobação. E cheguei rápido demais ao acorde final.
Então, uma grande insegurança me invadiu. Embora sem parâmetros de comparação, sabia que meu desempenho não tinha sido dos melhores. Ofegante, receoso, olhei para ela. Mas Clara sorriu, doce, e me abraçou com força, como se quisesse me prender para sempre naquele abraço. – Ah, se isso durasse para sempre! Mas lembro de sua resposta, aquela vez, no parque.
Fiquei um momento pensativo. Não era só uma mulher. Havia duas crianças, duas famílias envolvidas, o que as pessoas diriam e um bocado de previsíveis e imprevisíveis problemas. Mas problemas eu sempre tivera. E estava decidido: covardia, nunca mais; solidão, nunca mais. – Esqueça aquela resposta. Perdoe aquela resposta. Perdoe tantos anos perdidos.
Ela me beijou. Queria perdoar com gestos. Queria mais, muito mais. Não uma música de poucos minutos. Queria um concerto inteiro. E muitos outros. Com a mesma emoção, mas também com harmonia. Com o mesmo ardor, mas não sem suavidade. E fez seus instrumentos vibrarem, experientes, afinados. Respondi com os meus, buscando a harmonia, sem nunca esquecer a emoção. E fui vibrante e harmônico em cada nota. Notas penetrantes, tocando fundo. Cada vez mais fundo. Até lhe alcançarem definitivamente o coração, que batia no ritmo do meu, no compasso do vaivém do meu corpo.
Então, era verdade: “alegria, então, existe!” E era alegria que o velho Montreal transmitia. Ele parecia sentir que não tocaria mais para um homem só, nem para um homem triste. E só o que eu queria era viver essa alegria. Queríamos vivê-la. No plural, como nunca antes.
Lá fora, a chuva prosseguia. Mais intensa, sem vontade de parar tão cedo. Mais do que nunca, era minha cúmplice.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Lançamento duplo: "Poe 200 Anos" e "O Segredo de Lilith"

Atenção, amigos de São Paulo ou que porventura lá estarão no dia 20/02, não percam a oportunidade de participar desse ótimo programa cultural. Trata-se do lançamento de dois ótimos livros da Literatura Fantástica nacional:

POE 200 ANOS: CONTOS INSPIRADOS EM EDGAR ALLAN POE - Vários autores (entre eles, eu).

Sinopse:
Poe 200 Anos reúne 22 autores em comemoração ao segundo centenário de nascimento do escritor Edgar Allan Poe. São conto inspirados em clássicos como Berenice, O Corvo, O Gato Preto, A Queda da Casa de Usher, O Coração Delator e outros. Suspense, mistério e terror é o que o leitor mais encontrará nesta obra organizada pelos escritores Maurício Montenegro e Ademir Pascale.

Poe 200 Anos: Contos Inspirados em Edgar Allan Poe
Organizadores: Maurício Montenegro e Ademir Pascale
Prefácio: Miguel Carqueija
Gênero: Policial/Horror/Suspense
Editora: All Print
140 páginas
Valor: R$ 27,00 por R$ 25,00 no lançamento (autografado).

DESEJO DE LILITH, de Ademir Pascale.

Sinopse:
Um descuido dos tradutores da Bíblia revelou o pior dentre todos os demônios. Um velho e decadente detetive de polícia investiga um macabro suicídio, mas o que ele não sabia era que sua vida estava por um fio e que seria envolvido em uma conspiração contra toda a humanidade.
Uma palavra-chave, transliteração de uma palavra hebraica repetida em 63 trechos da bíblia, dará início à mais sombria das investigações. Uma organização secreta milenar abriga incríveis segredos e bizarras e inimagináveis personagens.
Afinal, o que teria em comum Platão, Vlad Tepes, Erzsébet Báthory, John Milton, Thomas Chatterton, Mary Shelley, Percy B. Shelley, Robert L. Stevenson, Aleister Crowley e Jim Morrison? Descubra em O Desejo de Lilith, um romance sobrenatural vivenciado nas principais avenidas e ruas de São Paulo, repleto de segredos, revelações, aventuras e muito rock n’ roll.
Mas atenção, seja forte e esteja preparado ao ler estas páginas, pois você não confiará mais em seu vizinho ou qualquer outro transeunte que cruzar o seu caminho. Você nunca mais enxergará o mundo como antes…
Afinal, qual seria o desejo de Lilith?

O Desejo de Lilith
Autor: Ademir Pascale
Posfácio: Roberto de Sousa Causo
Editora: Draco
Gênero: Terror/Policial
136 páginas
Valor: R$ 28,90 por R$ 25,00 no lançamento (autografado).

Dia: 20/02/10 (sábado).
Local: Rua Bela Cintra, 1.333, Jardins, S. Paulo.
Horário: das 18h30 às 22h.
Adquira seus exemplares no lançamento com desconto e autografado.
Convide os seus amigos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Premiação para meu conto Águas Revoltas

É um grande incentivo para mim, como escritor, receber a notícia de que meu conto Águas Revoltas foi um dos dez premiados no 19º Concurso de Contos Luiz Vilela.
Como não obtive a primeira colocação, a premiação é modesta, mas o que importa é saber que meu trabalho está sendo valorizado, ficando entre os dez melhores em um de nossos mais tradicionais e conceituados concursos literários a nível nacional.
Confira em: http://www.alami.xpg.com.br/19cclv.html
A publicação do livro com os contos selecionados está prevista para abril.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Eu e a Literatura Fantástica

Quando publiquei Inspiração à Beira do Abismo, um livro de contos em cuja apresentação o imortal Moacyr Scliar muito me honrou com seus elogios, talvez fosse de se esperar que eu mantivesse as mesmas diretrizes para os trabalhos seguintes. Na verdade, eu também supunha que esse seria o caminho. Um novo livro de contos, ou talvez um romance, mas sempre explorando as variadas nuances das reações humanas diante dos dramas comuns da vida.
Em meu íntimo, porém, nos subterrâneos de minha imaginação, ansiando por alcançar a luz do mundo literário, havia um universo muito mais variado, com raízes na infância e na adolescência, nos primeiros livros lidos e filmes assistidos. Ficção científica, terror, mistério, suspense, ação... Esses foram os ingredientes que me encantaram, que me fizeram gostar de ler, que me fizeram querer escrever.
Hoje, gosto tanto da literatura que mostra a realidade quanto da que nos faz fugir dela, mas penso que tenho uma dívida com a fantasia, com os sentimentos que embalaram minha imaginação no começo de minha vida.
Agora, estou pagando essa dívida. Venho publicando com certa regularidade contos em antologias de literatura fantástica, conforme relaciono abaixo.

Conto/Antologia/Editora/Status

Judas/Invasão/Giz Editorial/tenho à venda.
www.skoob.com.br/livro/sobre/40134
Sina/Metamorfose, a Fúria dos Lobisomens/All Print/tenho à venda.
http://www.skoob.com.br/livro/sobre/38818/
Inferno no Circo/Poe 200 Anos: Contos Inspirados em Edgar Allan Poe/All Print/Lançamento: 20/02/10.
http://www.cranik.com/poe_200anos.html
Samanta (coautor Márson Alquati)/Zumbis, Quem Disse Que Eles Estão Mortos?/All Print/conto em avaliação.
http://www.cranik.com/zumbis.html
Às Portas do Inferno/Moedas para o Barqueiro/Andross/conto em avaliação.
http://www.andross.com.br/livro_envio.php?evto=7
A Cruz/UFO: Contos Não Identificados/Don Muñoz/estou escrevendo.
http://ufocontosnaoidentificados.blogspot.com/

Estou também desenvolvendo uma história para publicação no blog Covil da Deusa Vampira, projeto de minha amiga Nana B. Poetisa, em coautoria com outros escritores. Trata-se das memórias da protagonista sobre seus amantes imortais, e eu contribuirei como Alexander MacAllister, o guerreiro imortal. Quem gosta do gênero por certo vai aprovar.
http://covildadeusavampira.blogspot.com/?zx=2051c2d64c4d95dd
Mas e o próximo livro solo? Bem, devagar, estou escrevendo Sangue Alien, um romance de Ficção Científica cheio de suspense, ação e mistério, com o qual pretendo prender a atenção do leitor do começo ao fim. Mas esse é assunto para outro momento.
Perdoem-me os leitores que não apreciam histórias fantásticas. Prometo voltar a publicar livros no estilo de Inspiração à Beira do Abismo.
Abraço a todos!


Clique na figura para visualizar o convite para o lançamento do livro Poe 200 Anos!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Prestação de contas - Inspiração à Beira do Abismo

Conforme compromisso público assumido em outubro/2008, no lançamento do livro Inspiração à Beira do Abismo, eu venho doando a entidades assistenciais e educacionais de Vacaria/RS e região os valores correspondentes aos lucros obtidos com os livros já vendidos.

Os valores atuais das doações são:

1.250,00 APAE Vacaria
1.160,00 Projeto Pandorga, do Atelier Livre de Vacaria
1.300,00 CEDEDICA
600,00 Asilo Santa Isabel
705,00 Escola Municipal Duque de Caxias
500,00 APAE Lagoa Vermelha
600,00 A RAMPA - Entidade de Caxias do Sul que apoia deficientes físicos
415,00 Outras pequenas doações

6.530,00 Total

Obs.: todos os valores têm comprovação.

Com a comercialização dos aproximadamente 400 exemplares que ainda estão à venda, espera-se que as doações fiquem entre R$10.000,00 e R$12.000,00, conforme consta na contracapa do livro.

Agradeço a todos os amigos leitores que colaboraram para que meu humilde projeto chegasse a esse ponto, ainda modesto, mas que certamente fará alguma diferença na vida de quem, por algum motivo, tem sido menos favorecido pela sorte.

Contato: jprandi@ibest.com.br

sábado, 21 de novembro de 2009

O drama de Daniela

O motivo que me fez ficar 45 dias sem postar neste humilde blog é o mesmo que me faz postar agora.
Até poucos dias atrás, vivi com minha família um drama que nos trouxe grande apreensão. No centro desse drama, minha filha Daniela!
A Dani é uma menina com necessidades especiais. Ela tem dificuldades motoras, na fala e de aprendizagem. O nome genérico dado ao problema pelo neurologista é Transtorno Global do Desenvolvimento. Temos tentado por vários meios estimular a evolução da Daniela, que continua com alguns anos de atraso, mas tem tido bons avanços.
Há cerca de três meses e meio, porém, um novo drama surgiu, para nos encher de incertezas e medos: ela começou a mancar. Procuramos especialistas em Caxias do Sul, cidade com mais recursos que Vacaria, minha cidade. Descobrimos que ela tinha grande desvio na coluna, o que provavelmente explica seu caminhar irregular.
Entretanto, um dos exames mostrou algo mais: um tumor na glândula suprarrenal esquerda. Nenhum exame foi capaz de esclarecer sobre a gravidade do caso.
Imaginem nossa angústia, imaginando que o tumor podia ser maligno, que nossa filhinha corria risco de morte. No entanto, precisávamos ser fortes, manter a serenidade, passar confiança para ela.
Uma equipe de médicos dedicados e competentes decidiu pela remoção da glândula. Passamos quase um mês no Hospital Pompéia, eu e minha esposa nos revezando na companhia da Dani, engolindo nossos temores para influenciar positivamente seu ânimo. Conseguimos, também com ajuda das orações de inúmeros amigos, influenciar inclusive a nós mesmos, tanto que eu adquiri uma quase-certeza de que o tumor era benigno. Mesmo assim, temia uma cirurgia complicada como a que aguardava minha filha, pois o risco de 5% mencionado pelo médico é altíssimo na cabeça de um pai.
A Daniela sabia que faria a cirurgia, mas não teve muita noção das possibilidades. Um dia, porém, cortou-me o coração ouvir ela dizendo, ainda que meio de brincadeira:
— Pai, eu vou morrer?
Ainda que eu estivesse condicionado a pensar positivo, ainda que eu sorrisse, minha voz se embargou ao garantir que não.
Passamos horas terríveis enquanto a cirurgia tinha andamento, mas tudo transcorreu perfeitamente. Em cinco dias, minha filha estava em casa.
Três dias depois, o médico me falou que a biópsia, embora ainda não concluída, apontava para um tumor benigno. No entanto, falou que ela, quando bebê, teve câncer (neuroblastoma) na glândula suprarrenal, e que, por regressão espontânea, o tumor virou benigno (ganglioneuroma). Essa regressão ocorre raramente, sempre entre a concepção e os 6 meses de idade. Resumindo, ela tinha essa anomalia há mais de 13 anos!
Dá um arrepio só em pensar que ela teve uma doença tão grave e ficou curada sem sabermos de nada. Mas que bom que Deus quis assim!
Não posso deixar de agradecer a todos os amigos, virtuais ou não, que rezaram e torceram por ela, e que nos deram palavras de apoio e de coragem. Também não posso deixar de agradecer, de jeito nenhum, às forças superiores e generosas que reverteram, no passado, uma doença gravíssima, e que guiaram a mão dos médicos na cirurgia.
Agora, a caminhada continua. Precisamos corrigir a coluna de nossa menina e estimular seu desenvolvimento.
Estamos felizes, pois o pior passou.
Muito obrigado a todos!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rios Paralelos

Esta poesia foi publicada parcialmente em meu livro Inspiração à Beira do Abismo, no conto Todas as Dores do Mundo. Pela tristeza que o caracteriza, tem tudo a ver com o poeta H. Zimmer, protagonista do conto.

RIOS PARALELOS

Têm por foz a mesma dor
De agonia de um amor,
Em suas margens não há flor,
Lentamente se deslocam
Até inquieto mar – o peito –
Sempre sós, pois não tem jeito:
Paralelos são seus leitos;
Lado a lado, não se tocam.

Não há rio nem mar eterno.
Só, talvez o céu e o inferno.
Vem o outono após o inverno.
Primavera não tem vez.
Erosão levou vontade,
Todo amor, toda vaidade.
Leitos secos, sem saudade,
Paralelos na aridez.